No último artigo enumerámos a principal legislação produzida no período de 1996/2012, verdadeiro sustentáculo do impulso pioneiro nas áreas da Ciência, Tecnologia e Comunicações. Hoje, iniciamos um trajeto até junho, com as realizações inovadoras nessas três áreas. No final, há um apontamento sobre o cinquentenário da Autonomia.
1. O estado da arte e evolução da Sociedade da Informação e do Conhecimento nos Açores (SICA)
Nos Açores de 2002, a sociedade da informação dava passos iniciais. Nesta data foram divulgados pelo INE os primeiros indicadores. A população açoriana encontrava-se no último lugar, em termos de posse de computador e ligação à internet, com 7%, enquanto o País atingia 20%. A criação de espaços TIC (tecnologias de informação e comunicação) por toda a Região, 82 em 2010, constituiu um modo eficaz de difusão e acesso da população, sobretudo jovem, às novas TIC. Na realidade, em 2012, só Lisboa estava à nossa frente em vários itens: a) computadores pessoais, mais de 61% nos Açores; b) agregados domésticos com computadores em casa, 23,8% Açores (2002), atrás das Regiões Norte, Centro, Lisboa e Algarve, mas, em 2012, 62% nos Açores, só atrás de Lisboa; e c) agregados com acesso à internet em banda larga, 3,4% (2003), os últimos do País, porém, em 2012, mais de 51%, só com Lisboa à frente. Foi por isso que, no que respeita às acessibilidades nas Tecnologias de Informação, Comunicação e Eletrónica (TICE), reduzimos os apoios a espaços TIC, onde eles já não se justificavam, como se denotou pelos índices crescentes (INE) de acesso das famílias açorianas às TICE. Assim, na posse de computador, no acesso à Internet e à Banda Larga e no comércio eletrónico para fins privados, os Açores de 2012 ficaram no pelotão da frente com Lisboa e Algarve, apesar do nosso ponto de partida, em 2003, ser o pior do País naqueles parâmetros. Em suma, o reforço progressivo na SICA colocou a Região, em 2012, no 2.º lugar nacional, só abaixo de Lisboa, nos indicadores das TIC. Em 2025, de novo, nas TIC (INE), passámos a últimos…
2. No cinquentenário da Autonomia
A Autonomia é um legado do 25 de abril. No cinquentenário, a Autonomia devia ser um instrumento para dar melhor nível e qualidade de vida aos açorianos. Infelizmente, estamos a regredir: o problema não é da Autonomia, mas sim da fraqueza do governo que confunde estabilidade com paz podre e até, com razão, perdeu o respeito dos parceiros. Não basta perorar no vácuo da “holística” e das vantagens da nossa posição, só com base na “geografia passiva”. É preciso ser sujeito ativo do desenvolvimento. Em tempo de “Espírito Santo”, oxalá seja aliviada a privação material de muitos açorianos (a mais grave do País), o desânimo, a degradação e o atraso. Os Açores precisam de uma nova energia e de um Novo Futuro!
PS: Ontem foi promulgado o novo diploma do subsídio social de mobilidade. Louvável trabalho do Presidente Francisco César enquanto deputado na AR. Veremos a regulamentação de Montenegro…